O Sal

O sal é uma comodidade que nem damos importância por ser de pouco valor, mas no mundo antigo era de grande valor. Especialmente quando não havia ainda refrigeração e muitos outros métodos modernos conhecidos de preservação, o sal era ainda de mais valor. Aos soldados romanos era dado rações de sal (pagamento) e eles chegavam a se revoltarem se sua ração fosse alterada. No idioma inglês a palavra “salário” literalmente significa “Dinheiro de sal”.

Quando Jesus assemelhou Seus discípulos ao sal, Ele na verdade, estava dando a eles grande valor. O Senhor Jesus nos deu também uma introspecção ao perigo que envolve quando você e eu procuramos ser sal neste mundo. Há, primeiro de tudo, o perigo de que o sal perca seu sabor (sua propriedade de salgar) e para nada mais prestar senão para ser lançado fora, sendo pisado pelos homens. Hoje, o sal que usamos, não perde o seu valor porque ele já foi altamente refinado; mas nos dias de Jesus, perdia seu sabor e valor.

William Thompson, em seu livro clássico “The Land and the Book”, conta acerca de um negociante que alugou varias casas na qual ele armazenou sal.
O negociante, contudo, esqueceu de cobrir o chão da casa, que era de terra batida, e simplesmente descarregou o sal direto a terra. Quando ele voltou vários dias depois, descobriu que o sal tinha perdido o sabor por estar em contato direto com a terra. O sal todo foi jogado na rua, onde os homens pisaram ao andarem por cima.

O cristão não é perfeito; existe ainda nele aquela natureza velha que pode levá-lo a pecar. O grande problema que enfrentamos ao servir Cristo é ter contato com pecadores e nos deixar contaminar por eles. Jesus foi um amigo dos publicanos e pecadores, mas conservou-Se “santo, inculpavel, sem macula, separado dos pecadores” (Heb. 7:26). Havia contato sem contaminação; havia uma verdadeira separação sem ter isolação.

Somente o Espírito de Deus pode nos guardar de perdermos  o nosso sabor quando ministramos aos perdidos. Certamente que quando o cristão perde o seu sabor, isso é um processo gradual. Primeiramente há “amizade com o mundo” (Tiago 4:4), e então “contaminado pelo mundo” (Tiago 1:27). Isto nos leva a “amar o mundo” (I João 2:15) e então “conformar-se” com o mundo (Rom. 12:2). O sal então chega ao ponto em que perde seu sabor e seu valor, não servindo mais para nada.

“Francisco Benna”